terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

40 - Recaída

Toda vez que eu me lembro do beijo um sorriso bobo teima em aparecer no meu rosto. Ainda sou capaz de sentir o gosto dele se eu fechar os olhos.  Tudo o que não deveria estar acontecendo,  aconteceu. – Acabei me apaixonando pelo Clark. – Preciso arrumar um jeito de tirá-lo da minha cabeça,  ele está sofrendo de amor por causa da songamonga e eu mal sai de um relacionamento pra lá de complicado.  Devo ter nascido para ser sozinha no mundo, talvez eu seja como a minha mãe...  Esse pensamento realmente me deprime.


Fui para a minha boate favorita, acabei encontrando o Fogus novamente, e dessa vez me deixei envolver novamente por ele.  Ele é realmente muito quente e ele acabou me levando para a ala vip, deixei me perder em seus beijos até que ele me sugeriu ir para um lugar ali perto. 
- Preciso beber alguma coisa primeiro – falei quando ele me soltava meio relutante. 
- O que quiser Diva, fala pra barwoman que eu disse que é por conta da casa. 


Estava derretendo de calor, o cara quase me fez esquecer tudo, quase. O bar estava bem movimentado. A mulher olhou pra mim e depois, segui o seu olhar para o Fogus que ficou para trás e terminava de subir as escadas. Estava agora conversando com um cara que parecia ser um segurança. 
- Se você está procurando encrenca ele é o cara certo.
- Desculpa, falou comigo?  - olhei para ela confusa. 
- Se estiver pensando em sair com ele, sim estou falando com você – ela apontou com a cabeça. 


- Por quê? 
- Não me leve a mal,  só estou querendo ajudar,  um único aviso,  tudo bem? Ele é casado e a mulher dele vive por aqui vigiando, é uma das sócias. – Eu tentando fugir de problemas e eles me perseguem. Que droga!   
- Obrigada pelo aviso,  pelo menos manda a bebida que tenho como cortesia e já estou indo. – ela apenas sorriu , deveria estar orgulhosa do seu dever cumprido. A bebida era forte e desceu queimado, fiquei ali só mais um pouco até que avistei ele se afastando da porta. 


Sai pela porta,  a brisa fresca me fez respirar fundo, estava quase amanhecendo, hora de ir pra casa. Ou era o que eu pensava. 
- Vamos? E lá estava ele me esperando,  com um sorriso tentador nos lábios. 
- Pensei em ir pra casa... 
- Ainda está cedo,  vem comigo  - ele piscou de um modo sedutor.  – a razão e o bom senso caíram ao chão. – apenas olhei para os lados e me deixei ser guiada até a sua casa.


39- Oasis Springs, cheguei!

E antes de chegar em qualquer lugar mudei de ideia. Sentei no banco de uma pracinha perto de casa e esperei que amanhecesse.
Recebi uma mensagem do meu irmão.
Vou passar uns dias com os nossos pais em Oasis. Quer ir também?
Sorri e respondi no mesmo instante.
Claro.Partimos ainda hoje?
Clark: Então se apresse. Te espero no meu apartamento. Tem duas horas.


Não precisou falar duas vezes. Corri para casa. Fiz uma mala. Tomei um longo e relaxante banho. Em uma hora já estava pronta para a viagem.
Só encontrei a Valentine em casa.
- Vale, estou indo passar uns dias em Oasis. Pode avisar a Diva por mim?
- Claro. Divirta-se!
Demos um abraço rápido e sem jeito.


Andei com passos mais largos do que o de costume. Nunca soube andar devagar. Assim que vi o meu irmão me esperando do lado de fora de seu apartamento, corri. Soltei a mala e o esmaguei num abraço. Acho até que chorei um pouquinho.
- Eles já estão sabendo? Os nossos pais... - Perguntei.
- Não. Vamos fazer uma surpresa.


Não era como se Oasis Springs fosse do outro lado do mundo, mas já fazia anos que não via meus pais. Durante a viagem fui tomada pela saudade. Coloquei umas músicas no carro e não foi difícil esquecer toda a bagunça dos últimos dias. Só conseguia lembrar de quando o Clark e eu éramos crianças. Nossas bagunças. Bons tempos.


Nossa mãe começou a chorar quando nos viu. Nosso pai não parava mais de sorrir. Ficamos os quatro abraçados por um bom tempo. Mesmo o chato do Clark não reclamou.
E então, realmente me senti em casa.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

38- Caixinha de Lembranças


- Essa que é sua namorada? Uma moça se aproxima.
- Deixe de ser xereta, Gisele. Fiquei revirando o nome até encontrar. Era a irmã mais nova dele.
- Seu chato.
- Você não tem nada melhorar para fazer do que ficar me perseguindo?
- Pare de me tratar como se eu ainda fosse criança. Já tenho 19 anos.
- Então aja como tal.


- Ei me lembro de você. Ela me olha com um sorriso. – É aquela vizinha gorducha que estudava com meu irmão. Ela dá uma gargalhada. – Arregalei os olhos. Natan tosse.
- Nossa, você está muito diferente. Ela continua.
- As pessoas mudam. - Respondi séria e cruzei os braços.  
- Preciso ir almoçar para voltar ao trabalho. Já ajudou a mãe, Gisele?
- Já. Ela revira os olhos. - Estou de saída para uma reunião com o clube do vôlei. Tchau para vocês.


- Não ligue para ela, tem a língua maior que a boca.
- Não tem importância. “Você me tratava pior”, pensei em dizer, mas guardei para mim.
- Vou falar para a mãe que você está aqui, ela gostava de você. - Pensei em Célia, gostava dela também, seu marido saiu de casa e ela sempre estava trabalhando para cuidar dos filhos.
- Está bem. – Sorri.
- Até mais...


Ao entrar em casa, coloquei a comida na geladeira e suspirei aliviada. Estava fazendo o almoço, mas meus pensamentos estavam longe, derrubei algumas coisas, minha tia se aproxima.
- Está tudo bem?
- Sim...
- Hum... Você sempre cozinha feliz e agora parece preocupada.
- Não é nada demais...


- Quem é o rapaz que estava conversando? – Desisti de tentar esconder as coisas de minha tia.
- Um antigo colega de escola.
- E temos aí na caixinha, ela aponta a cabeça. - Lembranças boas ou ruins?
- Mais ruins, na verdade horríveis do tipo que a gente guarda para não lembrar.


- Sente-se aqui, vamos conversar sobre isso. – Lembrei de quando ela conversava comigo no tempo que meus pais morreram.
            - Precisa mesmo?
            - Vai se sentir melhor. 
            - Me sentei, fechei os olhos e deixei minha mente ir para um lugar esquecido.



domingo, 7 de fevereiro de 2016

37 - Estragando tudo

Esperei um tempo consideravelmente curto, ou eu cochilei enquanto esperava, sei que quando dei por mim ele já estava ao meu lado.
-Quanto você bebeu? Acho que precisa de uma injeção de glicose.
- Não preciso de nada, só ir pra casa, me leva daqui, por favor.
- Vem, vou te ajudar - Ele chegou perto, então senti o seu perfume. Acho que isso me deixou mais bêbada do que estava antes.
- Ah que cheiro bom, sabia que a Juh recusou em falar o nome do seu perfume para que eu comprasse um pra mim?



- Do que você está falando Diva? Precisa mesmo ir pra casa, vamos.
Virei de frente à ele, aqueles olhos me hipnotizavam e que droga eu não conseguia pensar direito, senti minhas pernas bambearem e me desequilibrei chegando ainda mais perto - que merda - senti um magnetismo irresistível e literalmente eu o ataquei. - Seus lábios macios e um gosto maravilhoso. - Em um momento eu o imaginei retribuindo, mas depois  percebi que ele estava tenso - droga o que eu estou fazendo? Ele veio me ajudar e eu retribuo ferrando ainda mais sua vida?


Afastei depressa, me sentia ainda mais horrível e não o conseguia encarar novamente. 
- Desculpa - Eu mal ouvi minha própria voz.
- Você só está muito bêbada Diva, vamos sair logo daqui - ele também não disse mais nada, me deixou  em casa e só lembro de pedaços fragmentados como, de ter sentado no sofá, ele me oferecendo um café amargo e que  bebi tudo ainda olhando para baixo, o ouvi falando que estava indo embora e depois disso devo ter desmaiado no sofá mesmo.


Acordei um tanto confusa, meu corpo doía por ter dormido no sofá e tirando a dor de cabeça. Levantei e tomei um copo de suco com um analgésico. Subi os degraus da escada tão rápido quanto possível. Deixei a banheira enchendo com meu óleo de banho preferido enquanto escovava os dentes, foi quando um flash passou pela minha cabeça. - Droga! - Gemi ao lembrar do que havia feito com o Clark. - "É assim que agradece Diva? Ele foi te ajudar e você faz isso sabendo que a xexelenta terminou com ele há poucos dias?" - "Mas, eu estava bêbada" - "Isso não justifica" - Uma terrível batalha começou a formar em minha mente.


Só estava ao meu alcance fazer uma coisa. Peguei meu celular e digitei uma mensagem curta para o Clark - "Me desculpe" - Não iria trabalhar, pelo menos por um tempo não pisaria no hospital, por falar nisso eu liguei e falei que estava doente, que preciso de três dias de repouso e depois, como uma boa covarde que estava sendo, desliguei o celular para não ler sua resposta. Por mais que minha cabeça doesse eu não queria ficar em casa, poderia jurar que se olhasse para a Julieta ela leria a minha mente e talvez a minha própria alma e me esganaria -Até cheguei a visualizar ela gritando comigo.








36- Financiar pesquisas de máquina do tempo

Ainda faltava muito para amanhecer. Não tinha nem cinco minutos que estávamos deitados (apenas deitados) e eu já estava entrando em pânico. Eu fitava o teto do quarto, mas podia ver a imagem borrada do Gustavo do meu lado me olhando. Ele acariciava o meu rosto e deslizava os dedos nos meus cabelos.


Meu Deus! Eu iria partir o coração dele novamente? Fechei os olhos.
A única coisa pela qual eu era grata, talvez, era o fato do Gustavo não ser do tipo falante. Mas eu quase podia ler seus pensamentos... E quando virei de frente para ele, na cama, tive certeza de que ele ainda era apaixonado por mim.


Era o Gustavo. Ainda mais lindo, inteligente, interessante. E mesmo assim... Eu não estava preparada para um relacionamento. Eu sentia como se fóssemos nos casar. E sim, aquilo me assustava. Estava desesperada para sair correndo dali. Voltar no tempo seria uma opção?
- Juh?


Fiz apenas um som com a boca, indicando que falasse.
Mas ele continuou me olhando por longos segundos até que eu decidi quebrar o silêncio.
- Preciso ir.
Vi um pouco de tristeza em seu rosto e ele apenas fez que sim com a cabeça.
Vesti-me numa velocidade surpreendente. Gustavo se limitou a colocar a sua calça jeans e me acompanhou até a porta.


Assim que ele abriu a porta eu teria voado por ela se o Gustavo não tivesse me puxado para si pelo braço num movimento rápido. Beijou-me apaixonadamente. Ofegante hesitei um instante em ir embora. Um instante. E fui.
Não fui para casa. Ainda mal sentia que aquele lugar era o meu lar.
Faltava muito para amanhecer. Comecei a caminhar na direção do lado mais agitado da cidade.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

35 - Tormentos - Parte II

Aquele telefonema me deixou pra baixo, precisava sair, dançar e beber algo, e foi exatamente o que eu fiz. Quando cheguei estava praticamente vazio bem apropriado para quem não estava disposta a curtir muito o tumulto. Depois de umas bebidas fui pra pista de dança.


Uns carinhas até interessantes tentaram se aproximar, no entanto eu não estava mesmo a fim, no entanto com um em especial me deixou confusa. 
- Diva? Que bom ver você novamente. - lembrei do seu rosto, mas lembrar exatamente do seu nome é outra coisa totalmente diferente. 
- Oi.. - Pensei rápido e lembrei da brincadeira logo após a saída com as minhas primas que tinha ficado com um cara chamado Fogus "E que fogus" - rimos sobre isso - mas não estava a fim de repetecos, muito menos hoje. - Dei uma disfarçada e sai de perto quando a pista começou a encher.


 Quando me virei para ir ao banheiro não pude acreditar no que vi. Quantos anos ela pensa que tem? 18? Agarrada com um cara que deve ter metade da sua idade (não tenho nada contra, mas ela não disse que estava mudada?), balancei a cabeça negativamente e sai tentando não ser notada.
- Diva? Ei! Espera! - ouvi sua voz, mas ignorei, preferia sair dali sem que tivesse me visto. Estava do lado de fora quando ela me alcançou.
- Fica longe de mim, já vi o quanto está "mudada" - carreguei todo o cinismo no meu tom de voz.
- Eu sei que errei, mas eu era...


- Não, não, não!!! Não vem com esse papinho manjado " eu era muita nova e blá-blá-blá " já que fui um "acidente " ou um "erro" não caio nessa, muitos enfrentam a barra, mas você escolheu cair fora e NUNCA veio me procurar, agora não preciso mais de você.
- Me perdoa - sua encenação era tão perfeita que poderia jurar que ela iria começar a chorar a qualquer momento.
- Pelo menos vamos conversar, só um pouco.
- O que quer tanto falar? Que não sabe nem ao menos quem é meu pai e decidiu que quer um teste de DNA?
- Cala sua boca Diva, eu ainda sou sua mãe. - E ali estava a figura materna que eu me lembrava, sempre aos berros com meu pai e agora comigo.


Dei meia volta e entrei na boate, me tranquei no banheiro. Não sei quanto tempo ela ficou ali tentando se desculpar, mas desistiu. Eu não estava bem, não estava em condições de voltar pra casa sozinha, agora percebi o quanto devo ter bebido, peguei meu telefone e liguei para a primeira pessoa que veio à minha mente. - Clark? Me faz um favor, me tira daqui.
- Diva o que aconteceu e onde você está? - Expliquei que não estava bem, onde estava e fiquei esperando.


terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

34 - Tormentos - Parte I

Seria mais um dia de folga como qualquer outro, poderia acordar tarde, mas não, acordei com a porcaria do telefone que parecia estar berrando no meu ouvido desesperadamente. Não posso deixar de atender, sempre pode ser uma emergência, mas eu juro que um dia eu vou fingir que deixei no silencioso e simplesmente ignorá-lo, ou quem sabe lembrar de desligá-lo antes de dormir seria o suficiente, ou jogá-lo pela janela também é uma hipótese.


Um número desconhecido, não era do hospital.
- Alô - quem quer que fosse saberia que ligou em uma péssima hora, minha voz não era a mais amigável.
- Diva, minha querida, a quanto tempo - ao reconhecer a voz desejei que não tivesse atendido o tel
efone.


- Brenda, o que você quer? Como conseguiu meu número?
- Preciso falar com você.
- Não! Já disse que não quero mais encontrar com você, nem falar com você. A única coisa que eu quero é que me esqueça.
- Diva, não fala assim, eu disse que me arrependi, eu não sou mais a mesma. Estou na cidade e gostaria de te encontrar, por favor.


- Já disse que não - desliguei o telefone sem ao menos me despedir, nem a minha educação ela merece depois de tudo o que ela fez. Como uma pessoa destrói sua própria família sem pensar nas consequências que poderia trazer a sua única filha? Se ela quisesse minha presença não teria me abandonado quando era criança, somente graças ao meu pai eu sei o que é amor verdadeiro.


Meu pai me amou e criou até que eu pudesse cuidar de mim mesma, quando fui estudar medicina em outra cidade. Um pouco antes de sair de casa ele casou-se com Emma que cuida dele como ele merece. Nunca perdemos o contato.  Eu tenho um irmão chamado Danilo que só vi quando nasceu há quase 7 anos, meu pai sempre envia fotos dele. - dela só tenho um pouco da aparência e a cor dos olhos, e tomara que seja só isso. Tenho a cor dos cabelos do meu pai e o que mais interessa, o caráter, isso ele fez questão de me ensinar,e eu mais questão ainda de aprender.