segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

18- De volta ao presente


Balancei a cabeça tentando manter a minha mente no presente. Gustavo estava encarando nossas mãos juntas sobre a cama. Retirei a minha mão e seus olhos foram de encontro aos meus. No mesmo instante desviou seu olhar e ficou ansioso. Acho que deixei um sorriso escapar, porque eu estava mesmo contente em reencontrar os trejeitos do Gustavo.


- Bem, acho que vou deixar minhas fotos para outro dia. Talvez você mesmo tire. Seria muito legal. - Comentei.
- Combinado. - Respondeu sorrindo.
- Pode me passar o seu número?
Sua expressão ficou confusa.


- Celular. - Expliquei.
- Não tenho...
- Ah... - E fiquei imaginando que era bem a cara dele realmente não ter um.
- Mas você pode ligar aqui no estúdio se precisar de alguma coisa.
Despedimos-nos. Quando deixei o estúdio senti uma pontada de medo. Como se Gustavo fosse desaparecer novamente. Respirei fundo. Eu voltaria e teria paciência como tive anos atrás.


Em casa parecia estar sozinha o que eu até preferia. Não sabia direito o que falar com as outras duas e a Diva, com aquela cara de esnobe, conseguia me irritar sem fazer absolutamente nada. Troquei de roupa e decidia entre ficar em casa ou visitar o meu irmão quando o celular tocou.



- Juh? - Reconheci a voz do meu irmão antes de verificar o nome na telinha.
- A maravilhosa.
Quando ele não riu, fiquei preocupada.
- Posso passar aí pra gente conversar? - Perguntou.
- Claro.

domingo, 10 de janeiro de 2016

17- Devaneios do Passado (Parte 2)


Fiz a festa à noite, estava me divertindo bastante com meus amigos, quando já era quase de madrugada, um policial chegou. Gelei achando que seria presa ou meus pais notificados, mas foi bem pior ele trazia uma notícia. A de que meus pais tinham sofrido um acidente e morrido.
 

Me tranquei no quarto e fiquei ali deitada na cama por várias horas. Ignorei todas as batidas na porta. Me sentia tão culpada por não ter tratado meus pais melhor e até por não estar junto com eles naquela viagem. 


 Minha tia chegou. Ficaria ali comigo por um tempo, depois de tudo certo com a papelada da adoção me levaria para sua cidade. Não fui ao enterro dos meus pais, não conseguiria vê-los mortos. Ela tentou me consolar, mas eu me sentia muito mal.


 Sai correndo e fui para o cemitério. Por muitos dias eu sempre fugia para lá à noite e voltava no outro dia com o cabelo cheio de folhas secas. Preocupada minha tia me levou a um psicólogo, mas ele disse que era normal e que desse tempo ao tempo que tudo passaria.


Viajamos para sua cidade e por alguns meses continuei com meu comportamento rebelde de não querer comer, nem sair de casa e à noite tentava fugir para ir ao cemitério mesmo sabendo que meus pais não estavam ali. Emagreci bastante. Comecei a estudar em um colégio novo, mas minhas notas eram péssimas. Meses tinham se passado desde a morte dos meus pais. Em um dia chuvoso, eu estava muito irritada, que comecei a chorar, demorei a conseguir e quando as lágrimas começaram a cair não conseguia parar.


Tinha uma caixa no sótão com coisas dos meus pais, fui até lá dar uma olhada, e achei o caderninho de receitas da minha mãe, fiquei o olhando e pensando nos momentos bons que vivi com meus pais, isso foi me acalmando. Resolvi que daria orgulho a eles, mesmo que não estivessem mais comigo.


sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

16 - Voltando ao trabalho

É bom acordar pela manhã com o cheiro de bolos e tortas que a Valentina faz, pena que tudo que ela prepara são verdadeiras bombas calóricas, mesmo assim não custa perguntar o que ela estava preparando.
- Bolo de chocolate, estou testando uma nova receita, vai querer experimentar quando ficar pronto? - Ela perguntou sorrindo, sempre parece estar de bom humor.
- Não, obrigada. Estou surpresa por ninguém ainda te processou pelo excesso abusivo de calorias em suas receitas - disse sorrido - Mas se fizer algo mais saudável pode contar comigo pra ser sua cobaia - eu brinquei
- Da próxima vez então - ela sorriu novamente.



No trabalho vieram falar comigo, outros comentando pelos corredores sobre a volta do meu ex-chefe na cidade. - Se voltou ou não, porque e para que voltou não era mais do meu interesse, ainda estava engasgada com o modo que ele me dispensou, deixei o pensamento sobre ele de lado e voltei ao trabalho. E se ouvisse mais alguém falando sobre isso seria capaz de esganar um, já vi que seria um dia daqueles. O único chefe que eu tenho que me preocupar deve estar aproveitando o seu dia de folga.



Então só preciso mesmo terminar esse dia infeliz e ir às novas instalações do SPA aqui perto do trabalho, melhor do que isso é que posso ir caminhando até lá. Exercito meu corpo e minha mente também.
Quando cheguei a primeira vista fiquei impressionada, o lugar parece ser mesmo tudo aquilo que comentam, enfim, digno da minha maravilhosa e divina presença.



A aula estava perto de começar quando cheguei, mal deu tempo de me trocar, consegui mais uma vez esquecer de tudo e de todos e me dedicar exclusivamente à mim mesma. - Depois da aula  fui conhecer o andar superior, cruzando umas das portas, mesmo de costas vi e reconheci - é difícil não reconhecer - o Clark, ele estava meditando. Fui com passos suaves para não interromper, apenas para dar uma olhadinha.


Para a minha surpresa ele estava apenas sentado, de olhos fechados e uma expressão triste no rosto
- Oi, tudo bem com você? - arrisquei um assunto, se ele fingisse não  ouvir eu sairia sem incomodar, ele realmente não parecia bem, mas ele abriu os olhos e levantou.
- Oi Diva, tentei meditar, mas não consigo.
- Sabe primo - tentei descontrair usando a nossa nova recém descoberta de parentesco  - você pelo jeito está precisando é sair um pouco, curtir um agito. Vamos combinar algo qualquer dia desses - Não sabia se era certo ou não, mas não aguentei aquela carinha e puxei ele para um abraço, e, meu Senhor, que perfume é esse?!


quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

15- Adolescência - Parte 1

- Oi, gatinha!
- Oi, gatinho!
Nos beijamos.
Eu ainda não acreditava que tinha um namorado. Já fazia pouco mais de um ano e eu ainda não acreditava. Asthor não era o tipo atlético; que parecia ser o tipo de todas as garotas da minha escola e talvez do mundo. E basicamente ele não era nenhum dos tipos que atraia as garotas. E eu nunca seria a louca a fazer propaganda do meu namorado perfeito e que eu achava lindo de morrer.

- Tudo certo para ir lá na sua casa mais tarde?
Repuxei os cantos da boca para baixo. - Desculpa, Thor, mas tenho um trabalho em dupla pra fazer. - Revirei os olhos lembrando da manhã trágica com a minha dupla muda.
Asthor imitou minha expressão. - Poxa, gata. - Pensou rapidamente. - Vou ficar com os garotos lá em casa, então. Quando acabar com o seu trabalho, passa lá.

Eu nunca tinha dado sorte com amizades femininas e para compensar o universo tinha me dado uma porção de amigos. Eu passava a maioria das minhas tardes jogando o que fosse com eles. Mas aquela tarde eu passaria com o Gustavo. Ou pelo menos foi o que imaginei. Já era quase sete da noite quando aceitei que ele realmente não iria aparecer.

No dia seguinte eu fui furiosa até onde ele estava na sala de aula.
- Eu passei a tarde inteira ontem te esperando!
Gustavo não falou nada.
- Está me ouvindo? Não foi nada legal da sua parte. Não tenho culpa de ser a sua dupla, ok? Eu só quero poder fazer esse trabalho e ter uma boa nota. Se você for continuar com esse comportamento vou ser obrigada a falar com o professor. - Desabafei.

Eu teria mesmo falado com o maldito professor, mas assim que terminei de falar o Gustavo empurrou um punhado de folhas na minha mão, pegou sua mochila e foi embora da aula, que por sinal ainda nem tinha começado. Era o nosso trabalho em dupla. Ele tinha feito tudo sozinho em uma tarde.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

14- Devaneios do Passado (Parte 1)



Passou duas semanas que recebi a visita de minha tia. Nesse tempo recebi algumas ligações suas trocando notícias.
No emprego prossegui gastando todas as minhas energias cozinhando. Um dia meu chefe chamou para conversamos, fiquei apreensiva com medo de que todo meu empenho não tenha sido suficiente.


O dono do restaurante estava o passando para outra pessoa e deixaria encaminhado meu treinamento para que eu assumisse o cargo de Chef do buffet. Sempre tinha algum evento de clientes no restaurante como reuniões, casamentos e comemorações de aniversários e eu seria responsável por manter tudo em ordem.


Estava feliz. Ao chegar em casa peguei o caderno de receitas que era da minha mãe e tinha guardado. Comecei a pensar em acontecimentos do passado. Eu era criança. Estava acima do peso de tanto que minha mãe que amava cozinhar me entupia de comida.


Ela sempre me chamava para ajudá-la a cozinhar e me ensinar receitas novas. Eu revirava os olhos e bufando a ajudava um pouco, mas logo que ela se distraia eu saia pelas portas do fundo para o quintal. Lá eu me sentia livre.


       Na adolescência comecei a sair com um grupo de amigos, meus pais tinham medo que eu me envolvesse com coisas erradas e preocupados tentavam impedir minhas saídas, mas eu sempre achava um jeito de escapar.



Quando eu tinha quinze anos eles me chamaram para uma viagem, iam visitar algum parente que estava doente, mas com a ideia de ter a casa só para mim e fazer uma festa para os meus amigos resolvei não ir. Eles não tinham escolha e deixaram que eu ficasse, mas mandariam alguém no outro dia para ficar comigo.


terça-feira, 5 de janeiro de 2016

13- Planos que mudam

 Sentei-me em sua cama, como se ainda tivéssemos tanta intimidade. Ele continuou em pé. Uma parte de mim ficou contente em saber que o Gustavo que eu conhecia ainda estava ali.
- Mora aqui há muito tempo? - Perguntei.
- Pouco mais de um ano.



Nos olhamos em silêncio. Esboucei falar; tantas perguntas que eu tinha. Preferi não perguntar. Ele sorriu como se entendesse. Bati no lado vazio da cama ao meu lado, convidando-o para sentar-se e assim ele fez. Olhei novamente seu quarto e tentei imaginar que vida ele levava.



- Você trabalha com o Paulo? - Achei um assunto.
Gustavo ficou nitidamente tímido - Ele trabalha para mim.
Não escondi meu espanto; não era o meu forte esconder minhas emoções.



- Sempre imaginei que você fosse virar um escritor. Que um dia desses passaria por uma vitrine de livros e veria o seu nome em um deles.
- É... Cheguei a escrever um livro. Mas acabou não dando certo. - Pausou - Agora tiro fotos.



Novamente o silêncio. Insegura, coloquei minha mão sobre a dele na cama. Deslizando meus dedos carinhosamente sobre seus dedos, minha mente foi para um tempo distante que até então mantive duramente em esquecimento.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

12- As piores férias da minha vida

Com a pequena aproximação que tivemos no spa o clima deu uma melhorada, agora sei que o Dr Superman não é uma criatura tão terrível assim, ele só gosta que não misture ambiente de trabalho com o pessoal, mesmo assim quero uns dias de férias, o pessoal disse que meditar (o que eu estou tentando melhorar) e essas coisas é ótimo em ambientes tranquilos como em acampamentos, esse tipo de coisa que nunca me imaginei indo, mas como dizem que é sempre bom variar um pouco... Férias ai vou eu!!!




Apenas disse para as meninas, já que se caso alguém me procurasse (o que eu duvido muito) saberiam que estaria talvez até sem qualquer meio de comunicação a não ser sinais de fumaça.
- Volto em quatro dias, se não voltar mandem uma equipe de resgate buscar o resto do meu maravilhoso corpo, porque talvez algum animal tenha me devorado. - Disse brincando, mas poderia ser verdade, vai saber, nunca havia ido para um lugar assim tão longe da nossa maravilhosa civilização



Na verdade no primeiro dia eu curti bastante a coisa toda da natureza e fazer meditação no meio do nada, um pouco de yoga. Acampei perto de uma fogueira onde outras pessoas passavam de vez em quando, me sentia com menos medo, e como havia previsto nada de sinal de celular. No segundo dia um homem veio falar comigo, um morador da redondeza, contou sobre uma senhora que mora em uma cabana, era como se fosse um lugar a mais para conhecer, um ponto turístico talvez. Claro que eu fui conferir, ela é estranha e extremamente mal vestida, com roupas emendadas, mas apesar de tudo de me falou sobre ervas medicinais e embora não curta nem um pouco cuidar de plantas eu me interessei no assunto, na verdade tudo que envolve medicina me fascina.



Ela me ensinou a fazer repelentes, loções e até cremes usando suas plantas medicinais, na verdade olhando aquilo me imaginei uma bruxa fazendo algum tipo de poção mágica em um caldeirão. - não pude deixar de sorrir - Agradeci e voltei para o acampamento.No terceiro dia já era demais, estava sendo devorada por mosquitos de tudo que é tipo, que nem nome ao menos eu sei, talvez sejam espécies carnívoras que nunca chegaram a ser catalogadas, o que me salvou por um tempo foi a loção que o velha havia me ensinado a fazer, mas quando acabou estava praticamente servindo de banquete para aqueles insetos asquerosos. Dane-se a natureza, eu não nasci para ficar no meio do mato, vou embora para o conforto da minha casa, do meu quarto, não sei onde estava com a cabeça em me permitir fazer uma coisa dessa!



Cheguei e ouvi a voz da Julieta em seu quarto, deveria estar no telefone, depois falo com ela e aviso que estou de volta, corri para meu quarto e peguei uma toalha, hidratante, e tudo que eu merecia para tentar acalmar aquela coceira que persistia. Quando sai enrolada na toalha e dei de cara com o Clark!
- O que você está fazendo aqui?! - Perguntei no susto.
- Diva esse é o meu irmão Clark - a Julieta disse desconfiada, aparecendo do lado dele
- Mas ele é... É o meu chefe!  - Pedi licença e sai. Por vários motivos, primeiro pelo susto, segundo eu estava apenas de toalha na frente do meu chefe, terceiro eu estava em choque, em choque mesmo, nunca poderia imaginar que a irmã em que ele referiu com tanto carinho fosse a minha prima Julieta.